segunda-feira, 30 de agosto de 2010

montanha-russa.

eu não me encontro. me perco no meio de trilhos. cada curva rápida dá o friozinho na barriga como de uma montanha-russa. mas as curvas não acabam, e a sensação de diversão vai embora. deixando uma vontade de acabar e vomitar tudo que está dentro de você. para, então, conseguir voltar ao passeio e aproveitar a paisagem sem contar os minutos para chegar ao fim. pular do trem. quem sabe se mudar a rota. tentar um caminho alternativo com curvas curtas para um lugar desconhecido. talvez colorido. ou quem sabe em branco. branco este, que permita escrever uma nova história. fazer um novo desenho. criar fadas e castelos no meio de um mundo de fábricas e favelas. brincar nas folhas do outono com o céu de inverno, ar de primavera e sensação de verão. balançar num balanço de nuvem sem medo de cair. dar uma volta pelo arco-íris. ficar com os pés na beira do mar com sereias cantando em sua volta. sol e lua de mãos dadas. ali, grandes, olhando para você. sorrindo. te protegendo como se você fosse um delicado dente-de-leão, para que não seja assoprado para longe. para o nada. te incentivando a escrever de caneta sem pensar em escrever com lápis para poder apagar depois. te mostrando que rasuras não são necessárias. que cada palavra escrita é uma parte de um tal livro chamado vida. que, como todo livro, sempre tem coisas que temos vontade de pular. mas, se pularmos, perdemos todo o sentido do que acontece no final. te fazendo entender que, no final das contas, tudo acontece por um simples motivo, para você ser quem é hoje.